Bitcoin supera US$ 86 mil e atinge maior valor em oito meses

Bitcoin voltou a ganhar força no mercado internacional e ultrapassou US$ 86 mil, recuperando o maior nível desde janeiro. A alta ocorre em meio à melhora do apetite por risco, queda do petróleo e mudanças nas expectativas dos investidores sobre o cenário regulatório e monetário nos Estados Unidos.
O Bitcoin retomou uma trajetória de valorização nesta semana e chegou a US$ 86,3 mil, alcançando o maior preço desde o fim de janeiro. Segundo informações, a criptomoeda chegou a subir 5,1% no dia, enquanto acumulava valorização de aproximadamente 10% nos sete dias anteriores.
O movimento ocorre depois de uma recuperação que ganhou força no fim da semana passada e acompanhou uma melhora generalizada nos mercados financeiros. Ações e títulos americanos avançaram, enquanto a queda do petróleo ajudou a reduzir parte da pressão sobre os ativos considerados mais arriscados.
Mercado de criptomoedas volta a ganhar força
A recuperação não ficou restrita ao Bitcoin. O Ethereum avançou mais de 4%, chegando a aproximadamente US$ 2.747, enquanto outras criptomoedas, como XRP, Solana e Monero, também registraram alta. A capitalização total do mercado de criptomoedas alcançou cerca de US$ 2,8 trilhões, o maior nível desde o fim de janeiro.
O movimento ocorre após meses de maior pressão sobre os ativos digitais. Segundo dados recentes, o Bitcoin chegou a acumular uma recuperação de cerca de 10% em sete dias, embora ainda permaneça abaixo do recorde histórico superior a US$ 126 mil, registrado em outubro de 2025.
Mesmo com a recuperação, o preço atual ainda está abaixo da máxima registrada em 2026, que havia superado US$ 97 mil em janeiro, segundo o InfoMoney.
O que está por trás da alta?
Um dos fatores citados pelos veículos é a melhora do chamado apetite por risco nos mercados. Quando investidores ficam mais dispostos a assumir riscos, ativos como ações de tecnologia e criptomoedas podem receber maior fluxo de capital.
A queda do petróleo também contribuiu para o movimento, enquanto o mercado acompanhava as expectativas em torno de um encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.
Outro elemento está relacionado ao ambiente regulatório americano. Na semana anterior, o Clarity Act, projeto que buscava estabelecer regras para o setor de criptomoedas nos Estados Unidos, não avançou no Senado. Paralelamente, a Securities and Exchange Commission (SEC) autorizou a negociação de determinadas versões digitais de valores mobiliários no país, movimento que ajudou a melhorar o sentimento dos investidores em relação ao setor.
O mercado também passou a observar uma possível migração de capital que anteriormente estava concentrado em empresas ligadas à inteligência artificial. Segundo análise publicada pelo Seu Dinheiro, a acomodação recente das ações de tecnologia teria favorecido uma rotação de recursos em direção às criptomoedas.
Opções de compra indicam maior exposição à alta
O mercado de derivativos também mostra uma mudança no posicionamento dos investidores. Dados da plataforma Deribit citados pelo InfoMoney apontavam mais de 272 mil contratos de opções de compra de Bitcoin, contra aproximadamente 154 mil opções de venda.
As opções de compra dão ao investidor o direito de adquirir o ativo por determinado preço, enquanto as opções de venda dão o direito de vendê-lo. A diferença entre os volumes indica uma exposição maior às posições que se beneficiam de uma eventual valorização, embora não seja uma garantia de que o preço continuará subindo.
Bitcoin pode chegar aos US$ 90 mil?
A marca de US$ 90 mil voltou ao radar dos investidores após a recuperação recente. Analistas da consultoria BTIG citados pelo Seu Dinheiro apontam que, tecnicamente, a manutenção de um nível de suporte próximo de US$ 75 mil poderia abrir espaço para uma tentativa de avanço em direção aos US$ 90 mil.
Essa possibilidade, porém, depende do comportamento do mercado e não representa uma previsão garantida. O próprio InfoMoney destaca que ainda existem fatores de pressão, como o petróleo acima de US$ 100 por barril e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano em níveis elevados. Além disso, declarações de dirigentes do Federal Reserve podem provocar novas oscilações nos ativos digitais.
Com a nova alta, o Bitcoin recupera parte do terreno perdido durante o período de maior pressão sobre as criptomoedas. O movimento coloca novamente a faixa dos US$ 90 mil no foco do mercado, mas a distância em relação ao recorde histórico mostra que a recuperação ainda não levou a criptomoeda de volta aos níveis máximos registrados anteriormente.







