Tensão máxima no Estreito de Hormuz: Ponto estratégico por onde passa 20% do petróleo mundial entra em zona de risco

Aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado de energia. A passagem marítima responde por cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo e tem registrado forte redução no tráfego de embarcações em meio ao conflito.
O Estreito de Ormuz voltou a ser um dos principais focos de atenção do mercado global de energia. Localizado entre o Irã e Omã, o estreito conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e funciona como uma das principais rotas de exportação de petróleo e derivados do Oriente Médio.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), uma média de 20 milhões de barris de petróleo bruto e derivados passou diariamente pelo estreito em 2025, equivalente a cerca de 20% do consumo mundial de petróleo. Aproximadamente um quarto do comércio marítimo global de petróleo também utiliza essa passagem.
O problema é que o tráfego pela região despencou desde a intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã. Dados de rastreamento marítimo citados pela Reuters mostram que apenas dois navios de carga atravessaram o estreito em determinado dia da semana passada, contra uma média de aproximadamente 125 grandes embarcações comerciais por dia antes da escalada do conflito.
Por que Ormuz é tão importante?
O estreito é considerado um dos principais gargalos estratégicos do comércio mundial. Apesar de ter apenas cerca de 39 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, ele possui canais de navegação específicos para a passagem dos navios.
A importância de Ormuz está principalmente na concentração das exportações de energia. Países como Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein e Irã dependem fortemente da passagem para levar seus produtos aos mercados internacionais. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuem algumas alternativas terrestres, mas a capacidade dessas rotas é limitada diante do volume normalmente transportado por via marítima.
Além do petróleo, o estreito também é fundamental para o transporte de gás natural liquefeito. Cerca de um quinto do comércio mundial de GNL passou pela região em 2024, principalmente devido às exportações do Catar.
Tráfego de navios entra em forte queda
A redução do número de embarcações é um dos sinais mais claros do risco enfrentado pela navegação. Na semana de 13 de setembro, apenas 17 navios de commodities atravessaram Ormuz durante um fim de semana, contra 37 na semana anterior. O número ficou muito abaixo do fluxo registrado antes do conflito.
Algumas embarcações continuam utilizando a rota, inclusive com operações destinadas a manter o abastecimento de petróleo. Empresas também passaram a recorrer a transferências de carga entre navios, principalmente nas proximidades de Omã, como forma de reorganizar o transporte em meio às restrições.
A estratégia, entretanto, tem custo elevado. Segundo a Reuters, as operações de transferência entre navios cresceram significativamente em setembro, enquanto as tarifas de transporte de grandes petroleiros chegaram a superar US$ 30 por barril em determinados casos.
Petróleo volta a ficar sob pressão
O risco sobre a principal rota de exportação energética do Oriente Médio tem reflexos imediatos nos preços internacionais.
O petróleo Brent chegou a superar US$ 100 por barril durante a escalada das tensões em setembro. Nos últimos dias, porém, os preços recuaram diante de sinais de negociação entre Estados Unidos e Irã e da possibilidade de uma reabertura gradual do estreito. Em 25 de setembro, o Brent fechou a US$ 97,44, enquanto o WTI terminou a sessão a US$ 92,41.
A movimentação mostra como o mercado reage não apenas ao volume efetivamente retirado do mercado, mas também ao risco de interrupção futura. Quanto maior a incerteza sobre a capacidade de transporte, maior tende a ser a preocupação de compradores, refinarias e empresas de logística.
Existe uma saída para o petróleo?
Alguns produtores possuem alternativas, mas elas não conseguem substituir integralmente o Estreito de Ormuz.
A Arábia Saudita utiliza oleodutos que levam petróleo até o Mar Vermelho, enquanto os Emirados Árabes Unidos possuem uma infraestrutura que permite transportar parte da produção até o Golfo de Omã sem atravessar o estreito. Segundo a EIA, essas duas rotas juntas poderiam oferecer aproximadamente 4,7 milhões de barris por dia de capacidade para contornar Ormuz.
O problema é a diferença entre essa capacidade e os volumes normalmente transportados pelo estreito. Por isso, uma interrupção prolongada não poderia ser simplesmente compensada por rotas alternativas.







