Ceará lidera produção de calçados no Brasil e transforma indústria em motor econômico do interior

O Ceará assumiu a liderança nacional na produção de calçados e também voltou ao topo das exportações em volume. Em 2025, o estado fabricou 206,8 milhões de pares, o equivalente a 24,4% de toda a produção brasileira, com polos industriais espalhados por diferentes regiões e forte presença de pequenas e grandes empresas.
A indústria calçadista se consolidou como uma das atividades mais importantes da economia cearense. O estado superou tradicionais centros produtores do Sul e Sudeste e passou a responder por quase um quarto dos calçados fabricados no país, combinando produção em larga escala, exportações e uma ampla rede de fornecedores e pequenos negócios.
O desempenho mostra também uma característica particular do setor no Ceará: a produção não está concentrada apenas na capital. Cidades do interior ganharam protagonismo e passaram a abrigar algumas das maiores estruturas e concentrações de fábricas do país.
Ceará produz mais de 200 milhões de pares por ano
Em 2025, foram fabricados 206,8 milhões de pares de calçados no Ceará, segundo o Relatório Indústria de Calçados – Brasil 2026, da Abicalçados. O volume colocou o estado na primeira posição nacional, com participação de 24,4% da produção brasileira.
O Rio Grande do Sul apareceu em segundo lugar, com 22,8% da produção, seguido por Minas Gerais, com 16,3%. A diferença ajuda a dimensionar a força do parque industrial cearense em um setor historicamente associado a outras regiões do país.
Quatro polos concentram praticamente toda a produção estadual: Sobral, Fortaleza, Quixadá e Juazeiro do Norte responderam juntos por 96,4% dos pares fabricados no Ceará.
Sobral é o maior polo produtor do país
Sobral se consolidou como o principal centro calçadista cearense e um dos maiores do Brasil. O município produziu cerca de 123,8 milhões de pares em 2025, o equivalente a 59,8% de toda a produção estadual.
Fortaleza respondeu por 14,8% da fabricação, Quixadá por 11,5% e Juazeiro do Norte por 10,3%. A distribuição revela diferentes modelos industriais: enquanto Sobral se destaca pelo enorme volume, Juazeiro chama atenção pela quantidade de fabricantes.
Juazeiro reúne o maior número de fábricas
Juazeiro do Norte possui 115 empresas calçadistas ativas, o maior número entre os municípios cearenses. O setor local é marcado por micro e pequenas empresas, muitas delas originadas de oficinas e negócios familiares que cresceram ao longo do tempo.
O Cariri concentra aproximadamente 48% das empresas calçadistas do estado, segundo dados citados pela Agência de Desenvolvimento do Ceará. Isso faz da região um dos principais exemplos de como a indústria conseguiu se interiorizar e formar cadeias produtivas fora dos grandes centros urbanos.
A diferença entre Juazeiro e Sobral é importante: a primeira lidera em número de empresas, enquanto a segunda domina o volume produzido.
Ceará também lidera exportações em quantidade
A força industrial também aparece no comércio exterior. Em 2025, o Ceará retomou a liderança brasileira nas exportações de calçados em número de pares, com 31,4% do total embarcado pelo país, após crescimento de 8%.
O Rio Grande do Sul ficou próximo, com 30,7%, seguido por Paraíba, Minas Gerais e São Paulo. Sobral, sozinho, exportou US$ 112,3 milhões em calçados, tendo Colômbia, Estados Unidos e Paraguai entre os principais destinos.
Indústria gera empregos e atrai novos investimentos
O peso econômico do setor vai além da produção. Em 2025, o Ceará concentrou 24,5% das pessoas ocupadas na indústria calçadista brasileira, ficando em segundo lugar nacional em geração de empregos no segmento.
Horizonte apareceu como o município cearense com maior número de postos de trabalho no setor, com cerca de 14,4 mil empregos, enquanto Sobral e Quixeramobim também figuraram entre os principais empregadores do país.
O segmento continua atraindo capital. Projetos aprovados em 2026 previam novos investimentos em fábricas de calçados em municípios como Brejo Santo, Crato, Itapajé, Mauriti e Porteiras, com expectativa de geração de mais de 2 mil empregos.
Interiorização virou diferencial competitivo
A expansão da indústria calçadista no Ceará mostra como incentivos, mão de obra, formação de polos produtivos e logística podem transformar cidades do interior em centros industriais relevantes.
O estado combina grandes fabricantes capazes de produzir milhões de pares com uma rede pulverizada de pequenos negócios, especialmente no Cariri. Esse modelo ajuda a explicar por que o Ceará conseguiu superar concorrentes tradicionais e ocupar o primeiro lugar na produção nacional.
Mais do que um setor exportador, a indústria de calçados se tornou uma das principais estruturas de geração de emprego industrial fora da Região Metropolitana de Fortaleza. Ao liderar produção e vendas externas em volume, o Ceará consolidou uma cadeia capaz de combinar escala, interiorização e presença internacional.







