Focus eleva inflação para 5,01% e reduz projeção do PIB brasileiro em 2026

Mercado financeiro voltou a aumentar a estimativa para o IPCA, que agora supera o teto da meta de inflação, enquanto a projeção de crescimento do PIB caiu para 1,85%. As expectativas para a Selic e para o dólar permaneceram estáveis no levantamento divulgado pelo Banco Central.
A projeção do mercado financeiro para a inflação oficial do país voltou a subir e chegou a 5,01% em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (5) pelo Banco Central. Na semana anterior, a estimativa estava em 4,99%, o que representa a terceira alta consecutiva para o IPCA.
Ao mesmo tempo, os economistas consultados pelo BC reduziram novamente a expectativa para o crescimento da economia. A estimativa para o Produto Interno Bruto caiu de 1,86% para 1,85% neste ano, mantendo a tendência de revisões mais moderadas para a atividade econômica.
Inflação volta a superar o teto da meta
A nova projeção coloca o IPCA acima do limite superior do sistema de metas de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Dessa forma, o teto considerado compatível com a meta é de 4,5%.
Com a estimativa em 5,01%, o mercado projeta atualmente uma inflação 0,51 ponto percentual acima desse limite. O movimento interrompe a melhora observada em parte de setembro, quando as projeções chegaram a recuar antes de voltarem a subir nas últimas semanas.
Para 2027, a previsão do IPCA apresentou leve melhora, passando de 4,31% para 4,30%. Para 2028, a estimativa permaneceu em 3,8%, enquanto a projeção para 2029 teve pequena alta, de 3,50% para 3,51%.
PIB tem nova revisão para baixo
As expectativas para a atividade econômica também foram ajustadas. O crescimento esperado para 2026 caiu para 1,85%, ante 1,86% no levantamento anterior. Para 2027, a projeção passou de 1,41% para 1,40%, enquanto a estimativa para 2028 recuou de 1,83% para 1,81%.
As revisões mostram um cenário de expansão econômica mais moderada nos próximos anos. No início de setembro, o mercado ainda projetava crescimento de 1,93% para 2026, mas as estimativas foram sendo reduzidas ao longo das semanas seguintes.
A combinação entre inflação acima da meta e crescimento mais fraco mantém o desafio para a política monetária, já que o Banco Central precisa equilibrar o combate à alta dos preços com os efeitos dos juros elevados sobre consumo, crédito e investimentos.
Selic segue projetada em 13,5%
Apesar da piora na projeção de inflação, o mercado manteve a expectativa para a taxa básica de juros. A mediana das previsões aponta a Selic em 13,5% ao ano no fim de 2026, mesmo patamar indicado no levantamento anterior.
Para 2027, a projeção segue em 12% ao ano, enquanto para 2028 os economistas mantêm expectativa de 10,5%. A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação, influenciando diretamente o custo do crédito e o ritmo da atividade econômica.
Dólar permanece projetado em R$ 5,20
O Focus também manteve estáveis as estimativas para o câmbio. O mercado continua projetando o dólar a R$ 5,20 no fim de 2026, enquanto a previsão para 2027 permanece em R$ 5,28 e, para 2028, em R$ 5,30.
Os números do boletim representam a mediana das expectativas de instituições financeiras consultadas pelo Banco Central e podem mudar semanalmente conforme novos indicadores econômicos, decisões de política monetária e fatores domésticos e internacionais alterem as projeções para inflação, juros e atividade.







