“Tesouraço”: entenda o plano de Flávio Bolsonaro para a Economia do Brasil

O plano econômico apresentado pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, desenha uma agenda de forte viés liberal combinada com uma estratégia de enxugamento cirúrgico da máquina pública. Sob a coordenação dos economistas Daniella Marques e Adolfo Sachsida, o programa estabelece metas ousadas de crescimento e corte de despesas para o país.
A proposta central busca reverter as diretrizes fiscais vigentes e impulsionar a produtividade por meio de investimentos privados de longo prazo, gerando um debate intenso entre analistas de mercado e economistas do cenário nacional.
Para compreender o real impacto dessa agenda, portais de cobertura econômica avaliam que as propostas misturam rigor fiscal com pragmatismo político. Diferente de modelos anteriores puramente privatistas, o desenho desenhado pela equipe econômica foca na eficiência administrativa e na atração de capital externo para destravar gargalos históricos, especialmente nos setores de infraestrutura e energia.
O “tesouraço” fiscal e a busca pelo crescimento sustentável
A viga mestra da proposta de Flávio Bolsonaro é o estabelecimento de uma meta de crescimento sustentado do Produto Interno Brasileiro (PIB) na casa dos 4% ao ano para a próxima década. Para alcançar esse patamar, a equipe econômica desenhou um forte ajuste fiscal focado na redução de despesas públicas, com o objetivo de economizar o equivalente a 1,5% do PIB, montante estimado em cerca de R$ 190 bilhões. Esse corte, apelidado nos bastidores de “tesouraço”, prevê a redução drástica de ministérios, a extinção de cargos comissionados e o combate rígido aos supersalários no funcionalismo.
A estratégia de controle orçamentário envolve ainda a substituição completa do atual arcabouço fiscal. A intenção é implementar uma nova regra rigidamente atrelada ao comportamento da dívida pública, condicionando o limite de gastos de todos os Poderes — incluindo o Legislativo e o Judiciário — ao nível de endividamento do país.
Complementando esse esforço fiscal, o plano prevê uma profunda revisão tributária logo nos primeiros meses de gestão, com o objetivo de reduzir a alíquota estimada do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) e revogar tributos que incidem sobre combustíveis, energia e exportações de petróleo.
Privatizações cirúrgicas e a blindagem estratégica da Petrobras
No campo das estatais, o plano propõe a retomada do Programa Nacional de Desestatização (PND), mas adota uma postura mais conservadora e seletiva em comparação com alas mais radicais do liberalismo econômico.
A equipe de campanha faz questão de esclarecer que o objetivo não é uma liquidação irrestrita dos ativos da União, mas sim uma avaliação minuciosa feita de forma individualizada, priorizando empresas deficitárias ou aquelas cuja presença do Estado deixou de fazer sentido estratégico, como os Correios.
Dentro dessa lógica de concessões cirúrgicas, a permanência de ativos vitais sob o controle federal foi publicamente assegurada pela coordenação política. O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, e auxiliares diretos confirmaram que a Petrobras está formalmente excluída de qualquer plano de privatização, sendo considerada uma empresa de importância altamente estratégica para a soberania do país.
A estratégia para a petroleira foca, em vez disso, na governança técnica e na atração de petroleiras independentes por meio da venda de campos maduros e refinarias secundárias, além da proposta de extinguir o regime de partilha no pré-sal e retornar ao modelo clássico de concessões.
Flexibilização no mercado de trabalho e choque de infraestrutura
Para mitigar os índices de desemprego e informalidade, o programa econômico aposta na redução gradual dos encargos sobre a folha de pagamentos, preservando os direitos constitucionais.
A grande aposta reside na criação de novas modalidades contratuais flexíveis, desenhadas sob medida para duas faixas vulneráveis da população: os jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e os profissionais com mais de 50 anos que enfrentam o desemprego de longa duração. O plano também valida a prevalência dos acordos negociados diretamente entre patrões e empregados sobre a legislação geral.
Por fim, o estímulo à atividade econômica deve ser ancorado por um robusto pacote de infraestrutura que prevê injetar R$ 900 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos. Esse montante não viria diretamente do Orçamento da União, mas sim de uma forte carteira de concessões e parcerias público-privadas (PPPs) em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.
Para viabilizar os aportes, a campanha propõe a criação de fundos lastreados em imóveis da União e na securitização de recebíveis públicos, transformando o patrimônio imobilizado do Estado no motor de atração do capital privado.







