BYD encomenda 10 navios gigantes e prepara frota para transportar até 2,5 milhões de carros por ano

A BYD está preparando uma expansão que vai muito além da fabricação de carros. A montadora chinesa teria encomendado 10 novos navios especializados no transporte de veículos, cada um com capacidade para aproximadamente 9.200 unidades equivalentes de carros. Se o pedido for confirmado, a frota própria da empresa passará de oito para 18 embarcações até 2029.
As informações foram divulgadas inicialmente por publicações especializadas no transporte marítimo, como New Ships e a plataforma Robin Assafina, e reproduzidas por veículos automotivos. A BYD e o estaleiro responsável ainda não confirmaram oficialmente o contrato, e o valor da encomenda também não foi divulgado.
Cada navio pode transportar milhares de carros
As novas embarcações seriam construídas pela China Merchants Industry, nos estaleiros de Jinling e Haimen, na China. As entregas estão previstas para ocorrer entre 2027 e 2029.
Os navios são do tipo PCTC, sigla em inglês para Pure Car and Truck Carrier, projetados especificamente para transportar automóveis e caminhões. Diferentemente de cargueiros convencionais, os veículos entram e saem das embarcações pelas próprias rodas, em um sistema conhecido como Ro-Ro, de roll-on/roll-off.
Cada unidade terá capacidade de cerca de 9.200 CEUs, ou unidades equivalentes de carros. Como veículos maiores ocupam mais espaço, o número efetivo de automóveis pode variar.
Com as dez novas embarcações, seriam acrescentados aproximadamente 92 mil CEUs à capacidade da companhia. A frota completa ultrapassaria 130 mil CEUs de capacidade simultânea.
Por que uma montadora precisa de seus próprios navios?
A resposta está no crescimento das exportações chinesas de automóveis. Nos últimos anos, fabricantes chinesas passaram a disputar espaço em mercados da Europa, América Latina, Ásia e outras regiões. Isso criou um problema logístico: não basta fabricar milhões de carros; é preciso encontrar navios suficientes para levá-los até os consumidores.
A BYD começou a construir sua própria estrutura marítima justamente nesse contexto. Seu primeiro navio, o Explorer No. 1, foi entregue em janeiro de 2024. Em menos de dois anos, a empresa chegou a oito embarcações. Ao controlar uma parcela maior do transporte, a companhia reduz sua dependência da disponibilidade de navios de terceiros e ganha maior controle sobre rotas e cronogramas de exportação.
Capacidade para transportar até 2,5 milhões de carros por ano
Estimativas citadas pelas publicações especializadas apontam que a expansão poderia elevar a capacidade logística anual da BYD de aproximadamente 1 milhão para até 2,5 milhões de veículos.
É importante diferenciar capacidade de transporte e exportação efetiva. Os mais de 130 mil CEUs representam o espaço disponível simultaneamente na frota, enquanto os 2,5 milhões são uma estimativa de movimentação anual. O número efetivamente exportado dependerá da produção, demanda internacional, utilização dos navios, rotas e operações portuárias.
Mesmo assim, a escala revela o tamanho da aposta internacional da empresa.
Exportações ganham importância para a BYD
A expansão marítima acontece enquanto as exportações da BYD avançam rapidamente. Segundo dados citados pelas publicações que repercutiram a encomenda, a empresa exportou mais de 1,1 milhão de veículos entre janeiro e agosto de 2026, alta de 88% em relação ao mesmo período anterior. Em agosto, as exportações teriam chegado a 184 mil unidades.
Ao mesmo tempo, as vendas domésticas da marca na China enfrentam maior pressão. A combinação entre forte concorrência, guerra de preços e mais de uma centena de fabricantes disputando o mercado chinês aumenta a importância dos mercados externos para as montadoras.
Isso ajuda a explicar por que a BYD está investindo não apenas em fábricas e concessionárias no exterior, mas também na infraestrutura necessária para transportar seus veículos.
BYD está construindo uma cadeia logística própria
A estratégia chama atenção porque transforma a montadora em algo mais próximo de uma empresa integrada de logística internacional.
A BYD não controla apenas a fabricação dos veículos. Ao ampliar sua frota marítima, passa a ter maior participação também na etapa entre a fábrica e o mercado consumidor. Se a encomenda for confirmada e os 10 navios forem entregues até 2029, a BYD terá passado de seu primeiro cargueiro, em 2024, para 18 grandes embarcações em apenas cinco anos.
O movimento mostra que a disputa entre montadoras chinesas e fabricantes tradicionais não acontece somente nas concessionárias. Ela também está sendo travada nas fábricas, nos portos e agora nos próprios oceanos, onde a capacidade de transportar milhões de veículos pode se tornar uma vantagem competitiva.







