Empresa australiana compra projeto de terras raras em Minas Gerais por R$ 3,5 bilhões

Australiana acertou a compra de 100% da Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, no Sul de Minas Gerais. Operação envolve troca de ações, ainda depende de aprovações regulatórias e ocorre em meio à corrida internacional por novas fontes de minerais estratégicos fora da China.
A australiana Lynas Rare Earths fechou um acordo para adquirir 100% da Meteoric Resources, empresa responsável pelo desenvolvimento do Projeto Caldeira, de terras raras, em Minas Gerais. A operação avalia a companhia em cerca de US$ 672 milhões, aproximadamente R$ 3,4 bilhões, e será realizada integralmente por meio de troca de ações.
Pelos termos do negócio, os acionistas da Meteoric receberão 0,0207 nova ação da Lynas para cada papel que possuem. A aquisição ainda depende da aprovação dos acionistas e das autoridades regulatórias e deve colocar sob controle da Lynas um dos principais projetos brasileiros voltados à produção de terras raras.
Projeto Caldeira amplia presença da Lynas fora da Ásia
Localizado no Sul de Minas Gerais, o Projeto Caldeira concentra terras raras em depósitos de argila iônica. Entre os elementos identificados estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados na fabricação de ímãs permanentes empregados em veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos tecnológicos e sistemas de defesa.
Segundo a Lynas, a incorporação do projeto aumentará em 79% os recursos minerais da companhia e em 26% suas reservas. Atualmente, o empreendimento está em fase de projeto-piloto, com expectativa de início da produção comercial em 2028. A empresa estima que serão necessários cerca de US$ 500 milhões para desenvolver a operação.
A futura planta industrial deverá ter capacidade para processar cerca de 6 milhões de toneladas de minério por ano, com produção estimada em 14 mil toneladas anuais de carbonato misto, material utilizado posteriormente na fabricação de componentes tecnológicos.
Lynas avalia processamento de terras raras no Brasil
Além da extração, a Lynas informou que estuda realizar no Brasil etapas de processamento e separação dos elementos. Essa fase é considerada uma das mais complexas e de maior valor agregado da cadeia das terras raras e atualmente possui forte concentração na Ásia.
A empresa já mantém operações na Austrália e na Malásia e é considerada a maior produtora de terras raras separadas fora da China. O país asiático concentra cerca de 80% da capacidade global de refino desses materiais, cenário que tem levado governos e empresas a buscar fontes alternativas de fornecimento.
A aquisição da Meteoric se insere nesse movimento de diversificação. Ao assumir o Projeto Caldeira, a Lynas passa a ter acesso a uma nova fonte de terras raras pesadas em um momento de aumento da demanda internacional por minerais utilizados em energia, eletrônicos e tecnologias estratégicas.
Negócio será teste para nova política brasileira
A operação também ocorre poucas semanas depois da criação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que estabeleceu novas regras para acompanhar mudanças de controle em empresas responsáveis por ativos considerados estratégicos no país.
O novo modelo criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, o Cimce, responsável por homologar determinadas operações societárias no setor. Como a aquisição da Meteoric ainda depende das autorizações brasileiras, o negócio deve se tornar um dos primeiros testes relevantes da nova estrutura regulatória.
A previsão é que a aquisição seja concluída em março de 2027. Até lá, a Lynas deve disponibilizar à Meteoric uma linha de financiamento de até 110 milhões de dólares australianos para manter o desenvolvimento do Projeto Caldeira enquanto o processo de aprovação avança.







