IA faz 92% dos jovens repensarem a carreira e amplia busca por profissões técnicas

Pesquisa mostra que a inteligência artificial e a incerteza econômica já alteraram os planos profissionais de 92% dos jovens da Geração Z ouvidos. Ao mesmo tempo, estudos indicam que empresas mais expostas à tecnologia não necessariamente reduzem equipes e podem registrar crescimento maior de produtividade, salários e contratações.
A expansão da inteligência artificial está mudando a forma como os jovens planejam a carreira e também o perfil de profissionais buscado pelas empresas. Um levantamento da Thumbtack mostra que 92% dos integrantes da Geração Z entrevistados fizeram ao menos uma mudança nos planos profissionais diante das transformações no mercado de trabalho.
Mais de 80% afirmam que hoje é mais difícil construir uma carreira estável do que há alguns anos, enquanto quatro em cada cinco acreditam que a IA poderá eliminar parte dos empregos tradicionais de entrada. Nesse cenário, profissões técnicas começam a ganhar espaço entre jovens que buscam atividades consideradas menos suscetíveis à automação.
Profissões técnicas ganham espaço entre os jovens
Quase metade da Geração Z ouvida pela pesquisa afirma já estar aprendendo uma profissão técnica ou considerar seriamente seguir esse caminho. Entre esses jovens, 30% dizem que o avanço da inteligência artificial aumentou o interesse por esse tipo de formação.
A percepção também aparece na avaliação sobre segurança profissional. Três em cada quatro entrevistados consideram que uma carreira técnica pode estar entre as decisões profissionais mais vantajosas para sua geração, em um momento em que atividades administrativas e tarefas de início de carreira estão cada vez mais expostas à automação.
A mudança não significa necessariamente uma rejeição à tecnologia. O movimento indica uma busca por funções em que conhecimento técnico, trabalho prático e capacidade de adaptação continuem relevantes mesmo com o avanço das ferramentas de IA.
IA também cria novas exigências no mercado de trabalho
Do lado das empresas, o avanço da tecnologia está transformando as competências exigidas. O Barômetro de Empregos de IA 2026, da PwC, analisou mais de 1 bilhão de anúncios de vagas em seis continentes e identificou que as habilidades exigidas nas funções mais expostas à inteligência artificial mudam mais de duas vezes mais rápido do que nas menos expostas.
No Brasil, a contratação de profissionais com competências em IA quase triplicou entre 2024 e 2025. A participação dessas vagas no mercado passou de 1,1% para 3,6%, equivalente a quase 119 mil novas oportunidades no período analisado pela PwC.
Além do domínio tecnológico, características humanas ganham importância. Segundo o estudo, novas tarefas incorporadas às funções mais expostas à IA têm maior probabilidade de exigir capacidades como julgamento, criatividade, liderança e empatia.
Empresas mais expostas à IA também ampliam contratações
Os dados da PwC mostram que o impacto da inteligência artificial não se resume à substituição de trabalhadores. Empresas que registram maiores ganhos de produtividade com IA também apresentam crescimento mais acelerado do quadro de funcionários e dos salários do que companhias menos expostas à tecnologia.
Nas organizações mais avançadas no uso da IA, a tecnologia é utilizada não apenas para reduzir custos, mas também para aumentar o desempenho dos profissionais e criar novas fontes de valor. A PwC identificou ainda que os empregos em que a IA amplia a capacidade de especialistas estão crescendo duas vezes mais rápido do que aqueles em que a tecnologia reduz a necessidade de especialização.
Esse movimento ajuda a explicar por que o debate sobre inteligência artificial no trabalho vai além da possibilidade de extinção de vagas. A tecnologia já está alterando funções, exigindo novas competências e influenciando decisões profissionais, especialmente entre os mais jovens, que entram no mercado em meio a uma transformação acelerada das atividades tradicionais.






