Poder Judiciário deve custar mais de R$ 170 bilhões em 2026, cerca de R$ 800 por brasileiro

O Poder Judiciário brasileiro deve consumir mais de R$ 170 bilhões em 2026, segundo levantamento do Economia Raiz elaborado a partir da Lei Orçamentária Anual e das regras fiscais em vigor. O valor equivale a aproximadamente 1,3% do PIB e representa um custo médio próximo de R$ 800 por habitante, considerando uma população de cerca de 212 milhões de pessoas.
A estimativa mantém o Judiciário entre as estruturas públicas mais caras do país. Em 2025, as despesas totais da Justiça brasileira já haviam alcançado R$ 164,6 bilhões, segundo o Conselho Nacional de Justiça, com crescimento real de 7,8% em relação ao ano anterior.
O avanço para a faixa dos R$ 170 bilhões em 2026 significa que o custo anual da máquina judiciária brasileira continua crescendo mesmo depois de atingir patamares historicamente elevados. A cifra engloba Justiça Estadual, Federal, do Trabalho, Eleitoral, Militar e tribunais superiores, além de estruturas administrativas ligadas ao funcionamento do sistema.
Maior parte do dinheiro vai para pessoal
O principal destino dos recursos do Judiciário é a folha de pagamento. Em 2024, cerca de 89,2% das despesas totais estavam relacionadas a gastos com pessoal. Esse grupo inclui remunerações de magistrados e servidores, aposentadorias, pensões, encargos, benefícios e despesas indenizatórias.
Nos tribunais superiores, o peso é semelhante: em 2025, as despesas com pessoal representaram aproximadamente 90% do gasto total. Dentro dessa conta entram subsídios e salários, benefícios como auxílio-alimentação e auxílio-saúde, além de diárias, passagens, auxílio-moradia, terceirizados e estagiários.
O restante do orçamento é direcionado para manutenção de prédios e fóruns, tecnologia, sistemas processuais, segurança, contratos terceirizados, aluguel de imóveis, energia, transporte, obras e investimentos necessários para manter a estrutura funcionando.
Custo por habitante se aproxima de R$ 800
Com uma despesa superior a R$ 170 bilhões e uma população projetada em torno de 212 milhões de habitantes, o custo médio do Judiciário fica próximo de R$ 800 por brasileiro ao ano, conforme cálculo do Economia Raiz.
Esse valor não representa uma cobrança direta individual, mas ajuda a dimensionar o peso da estrutura no orçamento público. Na prática, os recursos vêm da arrecadação de impostos e contribuições financiadas por famílias e empresas.
A Justiça também gera receitas. Em 2025, o Judiciário arrecadou R$ 68,2 bilhões, dos quais R$ 30,7 bilhões vieram de custas judiciais e R$ 16,2 bilhões de dívidas recuperadas em execuções fiscais. Ainda assim, a arrecadação ficou muito abaixo das despesas totais do sistema.
Estrutura administra milhões de processos
O tamanho do orçamento também reflete a dimensão da demanda judicial no país. Em 2025, o Judiciário recebeu 40,9 milhões de novos processos, maior volume desde o início da série histórica do relatório Justiça em Números. Ao fim do período, havia 75,5 milhões de processos em tramitação.
O CNJ afirma que o custo precisa ser analisado junto com indicadores de produtividade. Em 2025, cada magistrado solucionou, em média, 2.558 processos ao longo do ano, enquanto o Brasil tinha 8,9 magistrados para cada 100 mil habitantes.
Gasto cresce e reacende discussão sobre eficiência
O orçamento elevado reacende o debate sobre quanto custa manter o sistema de Justiça e se a estrutura consegue entregar serviços compatíveis com os recursos utilizados.
O Brasil precisa financiar uma rede extensa de tribunais, magistrados, servidores e unidades espalhadas pelo país, além de investir em digitalização e modernização. Ao mesmo tempo, despesas com pessoal continuam dominando o orçamento e limitando o espaço para redução mais rápida dos custos.
Com mais de R$ 170 bilhões previstos para 2026, o Judiciário caminha para custar cerca de R$ 800 por habitante em apenas um ano. Mais do que o tamanho absoluto da cifra, o número mostra quanto do orçamento público é necessário para sustentar a Justiça brasileira — e mantém aberta a discussão sobre eficiência, produtividade e controle das despesas.
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