Ibovespa supera 207 mil pontos e real dispara após primeiro turno das eleições

O Ibovespa avançou cerca de 7% e ultrapassou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos, enquanto o dólar caiu abaixo de R$ 5. A reação ocorreu na primeira sessão após o primeiro turno das eleições presidenciais, com investidores recalculando o risco político e as expectativas para a economia a partir de 2027.
O mercado financeiro brasileiro abriu a segunda-feira (5) com forte valorização dos ativos locais. Por volta das 10h, o Ibovespa subia cerca de 7%, aos 207.437 pontos, depois de encerrar a sexta-feira anterior próximo dos 192 mil pontos. Foi a primeira vez que o principal índice da B3 rompeu a barreira dos 200 mil pontos.
Ao mesmo tempo, o real ganhou força frente ao dólar. A moeda americana chegou a cair mais de 4% e foi negociada abaixo de R$ 5, depois de fechar a sessão anterior perto de R$ 5,22. Por volta das 10h, a cotação estava na faixa de R$ 4,98.
Resultado do primeiro turno muda percepção dos investidores
A reação ocorreu após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, e os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado levou investidores a revisar as probabilidades atribuídas a cada cenário eleitoral e, consequentemente, o prêmio de risco incorporado aos ativos brasileiros. Antes mesmo da abertura da B3, esse movimento já aparecia nos mercados internacionais, com forte valorização de ações brasileiras negociadas em Nova York.
O EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a avançar mais de 12% no pré-mercado. ADRs de companhias como Petrobras, Itaú e Bradesco também registraram ganhos expressivos antes do início do pregão no Brasil.
Bancos e Petrobras puxam alta do Ibovespa
Entre as ações de maior peso no índice, a Petrobras avançava cerca de 5%, enquanto papéis de grandes bancos chegaram a registrar altas próximas de 10%. A Vale apresentava valorização mais moderada, próxima de 1%, no início dos negócios.
A intensidade da movimentação também provocou atraso na abertura de algumas ações, diante da forte diferença entre ordens de compra e venda. O movimento foi interpretado por analistas como uma reprecificação rápida do risco político, e não como uma mudança imediata nos fundamentos econômicos brasileiros.
A alta desta segunda-feira amplia um movimento que já vinha sendo observado antes da votação. Na última sessão antes das eleições, o Ibovespa encerrou em forte valorização e se aproximou novamente de suas máximas históricas.
Dólar abaixo de R$ 5 reforça valorização dos ativos brasileiros
A queda do dólar ocorreu simultaneamente à disparada da bolsa e refletiu maior procura por ativos denominados em reais. Com a moeda americana recuando mais de 4%, o câmbio voltou a ficar abaixo de um nível considerado simbólico pelo mercado.
Apesar da reação expressiva, analistas destacam que o movimento pode continuar sujeito a forte volatilidade. A disputa presidencial ainda terá um segundo turno, e temas como contas públicas, dívida, trajetória fiscal e propostas econômicas dos candidatos devem continuar influenciando os preços nas próximas semanas.
O desempenho do mercado ao longo dos próximos pregões deve mostrar se a valorização observada após o primeiro turno se transforma em uma tendência mais duradoura ou permanece concentrada na reprecificação inicial provocada pelo resultado das urnas.







