Estatal chinesa CNOOC avalia exploração de petróleo na Foz do Amazonas após achado da Petrobras

A CNOOC Petroleum Brasil pediu ao Ibama acesso integral a um processo administrativo relacionado à Foz do Amazonas, poucos dias depois de a Petrobras anunciar a identificação de hidrocarbonetos na região. O movimento indica o interesse da petroleira chinesa em acompanhar de perto uma das áreas mais observadas hoje pelo setor de óleo e gás no Brasil.
No requerimento ao Ibama, a empresa solicitou vista do documento e cópia integral do processo 02001.035748/2025-13 no Sistema Eletrônico de Informações, o SEI. O pedido foi feito após a Petrobras divulgar a presença de hidrocarbonetos no poço exploratório Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
Pedido não confirma investimento
Apesar da movimentação, ainda não há confirmação de que a CNOOC tenha decidido investir na Foz do Amazonas ou negociar participação no bloco FZA-M-59. A ação apenas o interesse da companhia em acessar integralmente o processo administrativo. Na prática, o pedido ao Ibama permite que a empresa acompanhe informações formais sobre a área, mas não significa entrada em um projeto, compra de participação ou acordo com a Petrobras.
A Petrobras é operadora e detém 100% de participação no bloco onde fica o poço Morpho. A área foi adquirida pela estatal na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP, em 2013.
Descoberta elevou atenção sobre a região
A Petrobras anunciou em 14 de agosto a identificação de hidrocarbonetos no poço Morpho. A área fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas ultraprofundas, com lâmina d’água de 2.886 metros.
A descoberta, porém, ainda não significa que exista uma reserva comercialmente viável. A companhia informou que a perfuração continua para obter mais informações sobre a área.
Na indústria do petróleo, a presença de hidrocarbonetos é uma etapa inicial. Depois dela, são necessárias novas avaliações para determinar as características do reservatório, o volume existente e o potencial econômico da descoberta.
Margem Equatorial entra no radar das petroleiras
A movimentação da CNOOC ocorre em um momento de maior interesse da indústria pela Margem Equatorial brasileira. A região é considerada uma das principais novas fronteiras exploratórias do país.
Em junho, a ANP aprovou a indicação de outros 86 blocos exploratórios da Margem Equatorial para estudos, com possibilidade de inclusão em futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão. Esses blocos ficam nas bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Barreirinhas.
A agência também estima investimentos de US$ 196 milhões em exploração nas bacias marítimas da Margem Equatorial em 2026, o equivalente a 22% dos investimentos exploratórios previstos para o ano.
CNOOC já atua em grandes projetos no Brasil
A CNOOC já tem presença no setor brasileiro de óleo e gás. A companhia chinesa participa de grandes projetos em águas profundas no país, entre eles o campo de Mero, no pré-sal.
Em junho deste ano, a CNOOC e a Sinopec assinaram contrato de partilha para exploração e produção no bloco Ametista, arrematado no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha. A empresa também aparece entre as companhias com inscrição ativa na Oferta Permanente de Concessão da ANP, ao lado de grupos como BP, Chevron e CNODC.
Com o pedido ao Ibama, a CNOOC passa a acompanhar de forma mais próxima a movimentação em torno da Foz do Amazonas. O interesse ocorre após a descoberta da Petrobras, mas ainda depende de novas informações técnicas, ambientais e regulatórias para qualquer avanço concreto.







